ENEM 2026: ACESSIBILIDADE PARA CANDIDATOS AUTISTAS VAI ALÉM DO CÃO DE APOIO EMOCIONAL

Participantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Enem 2026 podem contar com diferentes recursos de acessibilidade durante as provas, aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. Entre eles está a possibilidade de entrar no local de exame acompanhado por um cão de apoio emocional, desde que o pedido tenha sido feito na inscrição e autorizado pelo Inep.

A orientação está reunida na Cartilha do participante com Transtorno do Espectro Autista (TEA), publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O material reúne informações sobre os recursos disponíveis, a documentação necessária e as particularidades que podem ser consideradas na aplicação e na correção da prova.

O que pode ser solicitado

Para candidatos com TEA, o atendimento especializado pode incluir:

  • 60 minutos adicionais por dia de prova, desde que o pedido e a documentação comprobatória tenham sido aprovados.
  • Auxílio para leitura, com um profissional capacitado para ler a prova ao participante.
  • Auxílio para transcrição das respostas e da redação, quando necessário.
  • Sala reservada para acompanhante, acionada apenas quando houver necessidade. O acompanhante não permanece na sala de prova; fica em local reservado e pode ser chamado, sempre na presença de um fiscal.
  • Cão de apoio emocional, mediante solicitação prévia e autorização do atendimento especializado.
  • Protetor auricular não eletrônico e outros materiais próprios autorizados pelo Inep.
  • Avaliação diferenciada da redação, que considera as particularidades linguísticas do candidato com TEA.

CIPTEA

Para participantes com TEA, é possível anexar a frente e o verso da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), prevista na Lei nº 13.977, de 2020.

Quem fez o pedido deve conferir no Cartão de Confirmação de Inscrição quais recursos foram autorizados. Caso a documentação ou o parecer apresentado tenha sido reprovado, o participante realiza a prova, mas sem os recursos solicitados — incluindo tempo adicional, sala reservada para acompanhante e correção diferenciada da redação, quando aplicável.

Inclusão

“Acessibilidade em uma prova de grande porte não se resume a “dar mais tempo”. Ela envolve reconhecer que pessoas autistas podem enfrentar barreiras relacionadas à comunicação, à organização sensorial, à flexibilidade diante de regras implícitas e à forma como demonstram o que sabem. Acessibilidade no Enem não é favor. É participação em igualdade de condições”, afirma o deputado Alisson Wansdscheer, líder do Bloco Parlamentar da Neurodiversidade na Assembleia Legislativa do Paraná.

Recursos como leitura assistida, transcrição, tempo extra, acompanhante e avaliação da redação com critérios diferenciados podem fazer diferença na experiência e no desempenho do candidato. A proposta não é criar vantagem: é reduzir barreiras para que a avaliação meça conhecimentos e habilidades e não a capacidade de lidar com um ambiente pouco acessível.

cartilha_enem_2026_tea.pdf

Mais lidas

Leia também: