INSPIRAÇÃO: AUTISTA NATÃMY NAKANO QUEBRA BARREIRAS E SE TORNA, AOS 21 ANOS, A MÉDICA MAIS JOVEM DA UFPR

A curitibana que aprendeu a ler aos 2 anos, presta vestibulares desde os 11; aos 13, já havia conquistado uma vaga em Engenharia de Bioprocessos na UFPR. No mesmo ano, tornou-se aluna do curso técnico em Gás e Petróleo da instituição. Passou no vestibular de Medicina aos 15 e, este ano, se formou como a médica mais jovem da UFPR.

No dia 20 de abril deste ano, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) celebrou não apenas mais uma cerimônia de formatura, mas um marco histórico: a jovem Natãmy Nakano, de 21 anos, tornou-se a médica mais jovem da instituição, quebrando barreiras sociais e acadêmicas e desafiando estigmas como autista com altas habilidades.

A jornada começou cedo. No dia 11 janeiro de 2019, aos 15 anos, Natãmy foi aprovada no curso de Medicina da UFPR, o mais concorrido da universidade.

Trajetória 

Diagnosticada com TEA e superdotação, ela já havia sido aprovada em Engenharia de Bioprocessos aos 13 anos e cursava técnico em Gás e Petróleo. Sua trajetória acadêmica foi marcada por hiperfoco, hipersensibilidade sensorial e uma sede insaciável por conhecimento. “Eu era vista como a esquisita, hiperativa, a louca. Sofri muito bullying, não tinha amigos. Eu só sabia que eu tinha altas habilidades e superdotação, assim como minha mãe, mas nada que pudesse me fazer diferente ou excluída pelos outros colegas. Nem os professores eram capazes de compreender”, explicou.

“Se você tem um sonho, você tem que realizar, independente da barreira. Com esforço podemos conquistar até mais coisas do que uma pessoa considerada normal”, disse Natãmy ao ser aprovada.

Mãe e filha, lado a lado

Filha única, Natãmy teve um problema de incompatibilidade sanguínea logo após nascer e poderia ter ficado em estado vegetativo. Mais tarde, depois a descoberta do autismo, Natãmy desenvolveu hipersensibilidade nos sentidos, o que causa incômodo e até dor física com cheiros, barulhos, luzes, roupas, etiquetas e até alimentos.

Segundo a mãe, Andréia Pichorim, que também é autista com altas habilidades, um tumor no cérebro que ela teve quando a filha tinha dois anos ajudou a despertar o desejo da menina pela medicina.

Durante toda a graduação, Natãmy, teve a companhia da mãe, doutoranda em Engenharia de Materiais e Nanotecnogia. A dupla enfrentou preconceitos, dificuldades de socialização e ambientes pouco adaptados, mas encontrou na UFPR um espaço de acolhimento e estímulo intelectual.

A mãe conta que “precisava mandar ela comer, dormir, andar um pouco, se não era estudo 24 horas. Ela é hiperfocada.”

Formatura com emoção e recado ao mundo

Na cerimônia de colação de grau, Natãmy emocionou ao declarar:

“Aos 21 anos, autista, me formo a médica mais jovem da Universidade Federal do Paraná, com minha mãe, doutora Andréia Pichorim, também no espectro, ao meu lado. Apesar de todo preconceito, de todos aqueles que não acreditam que lugar de autista é onde ele almejar, de todas as dificuldades, de todos os empecilhos colocados no caminho, nós alcançamos a linha de chegada. Mais que isso, em um mundo que não foi projetado para pessoas neurodivergentes, nós vencemos.”

Valorização da neurodiversidade

Reconhecido pela atuação na causa do autismo, o deputado Alisson Wandscheer afirmou que a história de Natãmy é um exemplo poderoso de superação das barreiras que a sociedade impõe às pessoas com Transtorno do Espectro Autista. “Sua determinação é o que torna essa conquista ainda mais poderosa e especial. Ampliar o conhecimento sobre o TEA e promover inclusão real são fatores fundamentais para promovermos a empatia e garantirmos respeito a todas as pessoas neurodivergentes. Tenho convicção de que a trajetória profissional da Natãmy será de muito sucesso e servirá de exemplo para as pessoas dentro do espectro. Ela ajudará muito a causa da inclusão. Em um mundo onde falta tanta empatia, histórias como a da Natãmy reacendem a nossa esperança”, disse.

Legado

A trajetória de Natãmy é mais do que uma conquista pessoal — é um símbolo de resistência, inspiração e transformação. Ela representa milhares de autistas que ainda enfrentam invisibilidade, falta de apoio e oportunidades limitadas.

A frase de Natãmy é marcante: “Em um mundo que não foi projetado para pessoas neurodivergentes, nós vencemos.”

Que orgulho temos da sua história, Natãmy!

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